Sim, é verdade — a estética e o som da palavra são tão importantes quanto a palavra em si. Eu sei que elas dançam na cabeça e quase que sinto o roçar dos seus trajes quando se escapam para a leitura daquela voz interior com que converso antes de falar com o mundo. É, de facto, por si mesma, um mundo repleto de habitantes com vontade própria. Incentivam o mover do corpo, num controlo semelhante ao de uma pequena marioneta, ocasionalmente gritam até! Então, as suas palavras ecoam na esperança de se tornarem suficientes para não serem mais rabiscos a outros olhos (e ouvidos) como outro jogo qualquer. Porém, os verdadeiros momentos de criatividade, ou como tal é vista, são aqueles em que a tradução fica para trás, dá um passo atrás e os dedos correm como crianças pelo teclado, pelo papel, pelas letras que contam histórias que eu não sei, que (penso que) gostaria de ter vivido.
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